Artigo

Erros que o(a) impedem de perder peso: Produtos embalados – sim ou não?

Os embalados são de uma forma geral escolhidos pelo público por serem práticos e de rápido consumo, mas não são iguais à sua versão original ou ao natural. Põe-se a questão, produtos embalados – devemos consumir ou não?

Principal característica dos produtos processados/embalados

O processamento de alimentos remonta à pré-história; não existiam frigoríficos nem congeladores, portanto todos os produtos alimentares tinham de ser consumidos no momento ou então já não se encontrariam bons para consumo. A necessidade de armazenar alimentos em fases em que a estação do ano não permitia a caça, a pesca ou a recolha de frutos e legumes, deu início aos primeiros processamentos de alimentos, com o principal objetivo de preservação – guardar para consumir mais tarde.

Atualmente os produtos embalados sofrem algum tipo de processamento com o objetivo não só de aumentar a sua durabilidade em prateleira, mas também a sua palatabilidade ou sabor. Pensando num exemplo prático: o pão de padaria é produzido com farinha, água, sal e fermento, e tem um tempo de prateleira de 2-3 dias até deixar de estar próprio para consumo, no entanto, o pão de forma (apesar de ser também pão) apresenta validade de 2-3 semanas  mas também apresenta uma lista de ingredientes maior, com inclusão de gorduras e ás vezes açúcares, que no seu estado “natural” não estariam presentes.

Os produtos originais podem sofrem diferentes processamentos e originar vários tipos de produtos finais (como podemos observar na imagem abaixo), o que significa que dependendo do grau de processamento, a sua composição nutricional se vai alterando por serem adicionados outros produtos além do produto original.

Produtos Embalados: Sim ou Não?

Existem diferentes formas de apresentação do mesmo produto que dependem do grau de processamento que sofrem. Quanto mais processados, mais divergem a sua composição nutricional da do produto original.

Alegações Nutricionais

Em muitos casos, o marketing nutricional aplicado alicia a sua compra e consumo fazendo sugestão de que são produtos saudáveis ou “fit” com menções como “baixo em açúcares” ou “pode baixar os níveis de colesterol” apenas porque são utilizados ingredientes que isoladamente apresentam essas funções.Fazendo uma análise mais séria ao rótulo é possível perceber que em comparação à versão original desses alimentos, os alimentos processados são mais calóricos, mais ricos em açúcares simples ou adoçantes e mais ricos em gorduras.

As granolas e barras de cereais são produtos alimentares que normalmente além dos cereais que os compõe, contêm também açúcar ou gordura como ingrediente de ligação e variam noutros ingredientes que também podem estar presentes e que podem acrescentar calorias (frutos secos ou uvas passas ou sementes), no entanto, há uma grande diferença entre preparar a granola e as barras de cereais em casa ou comprar algum destes produtos já preparados.

    • Preparando em casa é possível escolher a mistura de cereais utilizada, decidir incluir ou não os frutos secos e a fruta desidratada bem como a sua quantidade, e medir a quantidade de gordura utilizada ou açúcar como ingrediente de ligação.

Leitura de Rótulos

A leitura de rótulos nestas situações é de extrema importância: perceber o que é descrito na lista de ingredientes e a sua extensão – quanto maior a lista de ingredientes, normalmente mais processado é o alimento, ou estarem presentes ingredientes com nomes pouco comuns ou que não são possíveis de identificar.

    • A lista de ingredientes é apresentada sempre por ordem decrescente de quantidade, ou seja, os ingredientes em maior quantidade vão aparecer logo no início da lista, o que significa que se o açúcar, os xaropes ou óleos surgirem nos primeiros lugares, esse alimento fornece grandes quantidade de açúcar ou gordura, e será um alimento relativamente calórico, devendo ser evitado.

O mesmo se deve considerar na tabela de composição nutricional do rótulo, por exemplo, no seu estado natural nenhum cereal fornece gordura, logo se aparecem valores relativamente altos de gordura na tabela de composição nutricional de umas bolachas, significa que esse ingrediente foi acrescentado e que essas bolachas serão mais calóricas do que outras opções existentes.

A Direção Geral de Saúde disponibiliza uma ferramenta bastante útil e simples para a leitura de rótulo – Descodificador de Rótulos -, apresenta-se como um semáforo nutricional (vermelho, amarelo e verde) consoante as quantidades de gordura, açúcar e sal em determinados grupos de alimentos.

Descodificador de Rótulos - DGS

Permite identificar a qualidade de um alimento através das cores de um semáforo, associando as quantidades limite de cada nutriente

Descodificador de Rótulos - DGS

À semelhança do anterior, existe também um descodificador de bebidas ou alimentos líquidos

Respondendo à questão inicial: produtos embalados – devemos consumir ou não?

Como em quase tudo na área da Nutrição e Alimentação a resposta é depende ! Um plano alimentar é ajustado não só às necessidades energéticas, mas também às rotinas de cada indivíduo, é construído com o intuito de ser de fácil execução e por isso, pode eventualmente fazer sentido incluir alguns produtos processados ou embalados.

Reforçando a ideia principal deste conjunto de artigos, o mais importante para garantir uma perda de peso é que a ingestão seja inferior ao gasto energético, sempre que possível com uma escolha alimentar adequada. A quantificação energética e distribuição em macronutrientes é fundamental para que isso aconteça, ou seja, se for necessário incluir um alimento processado (mais calórico, com mais gordura ou açúcares), será necessário também reestruturar as restantes refeições para manter o défice energético ao final do dia.